Participante: Antonio Carlos A. Coêlho
Tipo: 16 dias
Periodo:
07 a 22/09/2007
Cidades:
Cidades visitadas (45, em ordem): Diamantina, Biribiri, Vau, São Gonçalo do Rio das Pedras, Milho Verde, Três Barras, Serro, Alvorada de Minas, Itapanhoacanga, Sto. Antônio do Norte, Córregos, Cachoeira do Tabuleiro, Conceição do Mato Dentro, Serra do Cipó, Alto do Palácio, Morro do Pilar, Itambé do Mato Dentro, Senhora do Carmo, Ipoema, Bom Jesus do Amparo, Cocais, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas, Morro d'Água Quente, Sta. Rita Durão, Bento Rodrigues, Camargos, P.E. do Pico do Itacolomi, Mariana, Ouro Preto, Itatiaia, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Catauã, Lagoa Dourada, Resende Costa, Prados, Bichinho, Tiradentes, Sta. Cruz de Minas e São João del Rei.
Resumo da viagem:
É com orgulho e excitação que eu e minha esposa Márcia Prunk Coêlho contamos a vocês nossa aventura pelos caminhos da Estrada Real. Tudo começou após adquirir nosso primeiro carro off road. A idéia de fazer a Estrada Real era antiga. Iniciamos o projeto lendo tudo que achamos sobre o assunto: mapas, revistas, guias e web sites. Em menos de 15 dias estava pronta a planilha e a rota que iríamos percorrer, sendo tudo registrado num palmtop, que seria utilizado durante a expedição.
O objetivo: curtir a viagem praticando esportes de aventura, como canoagem e mountain bike, ao mesmo tempo em que conheceríamos as cidades mineiras, convivendo com seu povo, seus costumes, culinária e os muitos "causos" e lendas! Foi uma experiência incrível.
Partimos de Brasília com destino ao ponto inicial: São João del Rei. O caminho rumo ao norte finalizaria em Diamantina, 685 quilômetros depois. Carro pronto, viajamos numa 6ª feira, dia da Independência (7 de setembro). Até parece coisa do destino, pois iríamos percorrer os caminhos dos "inconfidentes" quase trezentos anos após a luta pela libertação do Brasil colônia (1822). Nossa expedição durou 16 dias, pois retornamos de Diamantina em 22/09/2007.
A 1ª parada foi em Tiradentes. Instalados na pousada Villa Allegra, rumamos para São João del Rei. Chegando lá zeramos os marcadores do carro e sincronizamos os programas do palmtop, visando iniciar o registro da viagem. Todas as cidades do percurso (45) foram visitadas e registradas em fotos e alguns filmes. Assim como toda a quilometragem, cidade por cidade.
Entre S.J.del Rei e Tiradentes - 7 Km de pavimentação histórica - passamos por dois vilarejos: Santa Cruz de Minas e Bichinho. O avistamento do primeiro "marco" oficial da Estrada Real - aqueles totens belíssimos de 2,5 metros - foi a euforia que deu a idéia do que nos aguardava esta aventura! O curto trecho de 8 Km de terra para Bichinho foi o teste inicial para o carro - óras, pessoal, era 0 Km e estava com dó de testá-lo. Permanecemos em Tiradentes por 5 dias. No 2º. dia aproveitamos para adiantar alguns trechos da Estrada e conhecer 5 cidades próximas. Destas a que mais marcou foi Prados, sendo que Resende Costa foi uma grata surpresa pela sua graciosidade e os produtos de tapeçaria. Concluímos 74 Km de terra, com estrada boa (média de velocidade = 60 Km/h). No 4º dia praticamos nossa primeira aventura esportiva: um trekking de 4 horas (ida/volta), com direito a banho nos riachos no topo da bela Serra São José, que cobre todo o horizonte N/NE de Tiradentes.
No 6º dia partimos para outro destino, passando e conhecendo as cidades durante o trajeto. Assim, percorremos em um único dia 107 km até chegar a Ouro Preto, em 12/09. Excepcionalmente este foi o único trecho de toda expedição percorrido em asfalto. A surpresa ficou para Queluzito, com seus coretos e jardins floridos. Além de ver as belas paisagens na região de Ouro Branco. Ouro Preto, como sempre, continua vibrante e tivemos sorte de estar ocorrendo um festival de Jazz. Aproveitamos para relaxar, pois o mais longo trecho da viagem estava por vir.
No dia 15/09 desbravamos 270 Km de pura terra e suas 17 cidades - um trabalho de hércules! Uma cidade surgia logo após a outra, numa média de 15 Km entre elas. Exceto entre Barão de Cocais e Morro do Pilar, com distâncias de 35 Km. Ao chegarmos à Serra do Cipó para 2 pernoites, vindos de Alto do Palácio por terra, fomos recebidos por um lindo espécime do lobo-guará, caçando próximo à rodovia. A foto ficou perfeita! Um dia inteiro foi dedicado à prática de mountain bike, com bicicletas alugadas no próprio Parque Nacional da Serra do Cipó. Percorremos 8 Km de trilha até a Cachoeira da Farofa; uma queda de 50 metros de água gélida e cristalina. A bela cidade de Conceição do Mato Dentro fica a apenas 57 Km do Cipó e reservamos mais uma pernoite no alto do vale, na Pousada Vale das Pedras, a qual recomendamos. De quebra visitamos o Parque do Tabuleiro que possui a 3ª maior cachoeira do Brasil (273 metros). Um espetáculo!
Na manhã seguinte (18/09) continuamos nossa aventura percorrendo 84 Km até Serro, passando por 5 cidades. Em Córregos gozamos de um dos grandes momentos da viagem. Com equipamento trazido de Brasília, cozinhamos à beira de um caudaloso rio junto a natureza. Lá existia uma família curiosa que lavava roupas no rio, que logo nos fizeram amigos. Expedita e seu filho Léo foram uma enorme alegria. Resultado: o almoço de confraternização foi para quatro pessoas. Inesquecível! A estrada do trecho final da viagem estava em péssimas condições, com muito cascalho e pedregulhos, principalmente os 30 Km de chegada a Diamantina. Mas valeu a pena, pois a região entre Milho Verde e Diamantina era aquilo que lemos nas revistas: belíssima. Finalmente nos hospedamos pela última vez por quatro noites e retornamos com um ar de alma lavada de Brasil, pois atestamos com enorme satisfação o fantástico projeto que é este: a Estrada Real.
Dicas para o que fazer:
Resumo - Início: São João del Rei. Fim: Diamantina; 685 quilômetros percorridos, sendo 605 de terra; 16 dias, sendo 6 dias de rodagem na Estrada Real; média de 5 horas por dia na Estrada; +1200 fotos; centenas de marcos ("totens") avistados; incontáveis "pinguelas"; infindáveis campos de pastagens. Ufah!
Dicas para o que não fazer:
Cuidado: os 50 Km entre Milho Verde e Diamantina estão péssimos. Não saia fotografando todo "totem" pelo caminho. Você vai desistir logo, pois realmente existem 1400 espalhados pelo Brasil. Não nos perdemos em nenhum momento nos 605 Km de terra. INACREDITÁVEL !!
